Os dois testes que você fez, número por número, com o que cada um quer dizer.
mesma pessoa · mesmo dia · mesmas frases · o teste por toque foi feito depois
Mede se o tempo que você gastou acompanhou a dificuldade da palavra. Vai de 0 a 1. Perto de 1, quanto mais surpreendente a palavra, mais tempo você gastou — e isso quer dizer que a sua máquina de prever está trabalhando. Perto de 0, o tempo não tem nada a ver com a dificuldade.
Acima de 0,40 é considerado bom no seu próprio sistema; entre 0,15 e 0,40 é fraco; abaixo disso é ausência de sinal. A voz caiu no chão da escala. O toque passou com folga.
Quantos milissegundos a mais você gastou a cada bit de surpresa. É o número principal do exame — o único que não muda se a pessoa for lenta, porque lentidão atrasa todas as palavras igualmente.
Seis vezes e meia de diferença. Traduzindo: no toque, uma palavra impossível custou 442 ms a mais que uma palavra óbvia. Na voz, custou 70 ms — quase nada.
Quanto tempo a mais custou a palavra que quebra a frase — o “tijolo” de “passou manteiga no tijolo”. É o equivalente comportamental do N400. Acima de 200 ms conta como efeito claro.
Este é o dado que mostra que a voz não está quebrada — ela captou o efeito, só que com um terço do tamanho. O paradigma funciona nos dois; a voz é que é menos sensível.
Quanto tempo você gastou por palavra, na média. Sozinho, este número não diz nada clínico — é aqui que entram lentidão de dedo, de fala, de idade e de cansaço.
Os dois são parecidos. Ou seja: a voz não é mais lenta que o toque — ela é menos sensível. São coisas diferentes, e é por isso que a velocidade não serve como medida principal.
Quantas palavras entraram na conta. Quanto mais, mais confiável a inclinação.
A voz teve mais dados que o toque e ainda assim deu o resultado mais fraco. Isso reforça a conclusão: não é falta de amostra.
Quanto tempo você levou para dizer “pá” quando o círculo apareceu, sem nenhuma palavra envolvida. Serve para descontar o que é corpo e sobrar o que é linguagem.
É alto demais, quase o dobro do esperado. Reação vocal simples não leva meio segundo. Isso aponta atraso na cadeia de captação de áudio do celular, não reflexo lento. Precisa ser medido antes de qualquer publicação — um revisor vai perguntar.
A latência média menos a reação motora. O que sobra deveria ser só o trabalho de linguagem.
Sai de 763 menos 569. O número em si é plausível, mas ele herda o problema de cima: se os 569 estiverem inflados por atraso do aparelho, este resultado está deslocado junto.
Quanto o custo caiu quando a mesma frase voltou, dois minutos depois. Em quem está bem, espera-se queda de 10 a 20%: o cérebro registrou que já viu aquilo.
Parece preocupante e não é. Duas explicações antes de qualquer outra: você já tinha lido essas frases várias vezes testando o microfone, então a “primeira” passagem não era a primeira; e a medida de voz, como visto acima, comprime todos os efeitos. Este número só vai significar alguma coisa com frases inéditas.
Os +101 ms e +277 ms desta página vieram de um cálculo que depois se mostrou errado: a palavra-alvo estava sendo comparada com as palavras do meio das mesmas frases. A última palavra de qualquer frase já custa mais só por ser a última — é nela que se amarra o sentido do todo. Os dois valores estão, portanto, inflados por esse fechamento de frase.
A conta correta compara alvo com alvo: palavra final da frase absurda contra palavra final da frase normal. Num teste posterior, separados, deram +149 ms de incongruência e +383 ms de fechamento. Ver as contas, com dois idosos.
A conclusão desta página não muda: ela se apoia na correlação e na inclinação, que não dependem desse cálculo.
O problema não é a sua cabeça, e não são as frases gastas — se fosse frase gasta, o toque teria saído pior, porque foi feito depois, com mais exposição. Saiu muito melhor.
E há um detalhe estatístico que aponta o culpado: ruído aleatório na medida derruba o acoplamento, mas não muda a inclinação. A sua inclinação caiu seis vezes e meia. Logo, não é imprecisão de medida — é a tarefa de voz medindo menos coisa.
A explicação: falar a palavra pode ser disparado assim que o olho reconhece a forma dela, sem esperar o contexto. O toque exige que você decida que terminou de processar aquela palavra antes de avançar — e essa decisão é sensível ao contexto. São duas tarefas diferentes.
Conclusão prática: o toque continua sendo o instrumento principal, agora por dado seu e não por argumento. A voz não morre, mas deixa de ser substituta: ou ganha uma exigência de compreensão no meio, ou vira leitura corrida medindo a pausa antes da palavra, ou fica reservada para alcançar quem não lê.
Ressalvas honestas: uma pessoa, uma sessão, conjuntos de frases de tamanhos diferentes (15 contra 9), e frases que você já conhecia. Isso indica um caminho — não fecha uma questão. Com três ou quatro pessoas fazendo os dois modos, vira achado de verdade.